terça-feira, 25 de outubro de 2011

O Japão é "kawaii"

Muita gente guarda uma imagem dos japoneses como um povo super sério. O esteriótipo é de um homem com óculos dos anos 70, sempre lendo, tímido e silencioso. E não é uma imagem totalmente falsa. Além de ter um ritmo de trabalho alucinante, parece que a única chance de ouvir gargalhadas nas esquinas é quando eles ficam bêbados depois do trabalho e esquecem a pose que carregam durante o resto do dia. Mas alguns detalhes me levam a acreditar que há uma outra versão nesta história sobre o jeito nipônico de ser. Afinal, em qual cidade do mundo se encontra uma frota de ônibus tão bonitinha?
Não são ônibus escolares, boa parte do transporte urbano é colorida.

Apresento a vocês a palavra que expressa bem esse outro estilo japonês de ser. Kawaíi, o significado em japonês é  “fofo, gracinha, bonitinho” (lê-se “ kawaí ”). É a palavra da moda neste país, um verdadeiro vício. Utilizado por todos.
No caso das meninas, elas ficam aluciandas com a chamada moda “Kawaii”. Existe uma loja, ou melhor, um shopping no bairro mais movimentado de Tóquio especializado só nesse tipo de roupa.
São muitos babados e combinações de gostos duvidosos para um ocidental, ou pelo menos para mim. A regra é a seguinte: se for algo “gracinha”, compre e use. Ah! misture cores e acessórios...muitos!
Sonho de consumo
A escadaria do shopping é cheia de purpurina e no final, claro, uma coroa de princesa.

Lingeries kawaii - acho que não fariam sucesso no Brasil

As propagandas dentro da loja já mostram qual é o estilo daqui.

Este é o espírito!

Mas ser kawaii vai muito além das roupas. Um simples docinho também precisa de desenhos, cores e caprichos. Ficam tão bonitinhos que não dá coragem de comer.
Mas a verdade é que são uma delícia!
Produtos para donas de casa também vendem mais se tiverem um design arrojado. Não se confunda. Nada disso é para crianças.
Esponjas de lavar louça e de faxina
Um tipo de rodo muito usado por aqui

Deu para entender a extensão da moda kawaii?
A vida dos pets é outro exemplo,um mundo à parte que eu já postei no blog, mas as roupas caninas kawaii merecem um destaque especial.
Quem não quer ter o seu cachorrinho vestido de abelha? ("cachorrinho"escrito no diminutivo não por acaso, são quase sempre pequenininhos, isso é ser kawaii!)

E tem mais. Se encontra o kawaii em capas para celulares, acessórios gigantes para enfeitar as bolsas, sapatos, objetos de cozinha, de casa, decoração, comida, bebidas, tudo! Não tem como fugir!
Detalhe no salto em formato de coração
Tudo para enfeitar a comida
Vitrines de lojas

Como diriam os japoneses, “kawaiiiiii desu, nééé?”, que significa, “isto é foooofooo, nééé?”, sempre prolongando o final da frase.
Apesar da aparência séria, desse jeito fechado, percebo que todos os japoneses, sejam jovens, donas de casa ou executivos, fazem questão de trazer alegria para as suas vidas de alguma forma. Esse é só um jeito diferente de pensar e demonstrar isso. São simples detalhes que fazem a diferença no cotidiano dos japoneses. Talvez nós ocidentais é que ainda sejamos "os sérios" demais para gostar dessa moda.
Quem sabe até ir embora do Japão eu também não vista a camisa do estilo kawaii de ser!


quarta-feira, 19 de outubro de 2011

É possível respeitar !

Era meu segundo dia de Japão, comecei a andar pelas ruas e reparei que toda vez que atravessava a via uma espécie de passarinho começava a piar ... ouvia um sonoro“piu-piu” toda vez que o farol de pedestres abria. Quando a luz ficava vermelha, silêncio.
Na esquina seguinte, ao invés do som de passarinho, ouvia uma musiquinha de melodia infantil. Os acordes perduravam durante toda a passagem de pedestres. Veja o filme abaixo.

Intrigada, resolvi perguntar a razão de todos esses sons e percebi que os japoneses pensam em tudo para os deficientes. Me senti envergonhada por não perceber isso facilmente, mas é que no Brasil estamos muito atrasados nesse tema.
O "piu-piu" e a musiquinha que não sai da minha cabeça, na verdade, servem para orientar os cegos. É o aúdio do sinal verde para passagem. E o mais incrível, a diferença entre os sons existe para para distinguir um cruzamento do outro.
Este é o passarinho, um microfone que emite diversos sons.
Botão exclusivo para cegos

Fora do horário de pico, ou em cruzamentos pouco movimentados, basta acionar o botão para cegos que imediatamente a passagem para pedestres é liberada.
A questão da acessibilidade por aqui é levada muito a sério.
Apesar do silêncio entre as pessoas, há muita informação sonora a todo instante. Por exemplo, na estação de trem há uma música específica para avisar que o trem está chegando e outra para o momento em que está partindo, além de uma pessoa ao microfone informando a linha e o número de cada trem. Mesmo dentro do vagão, o destino final e a próxima estação são mencionados sempre.
Para quem usa cadeira de rodas, há identificação em quase todas as ruas da cidade, é impressionante! E todas as guias são rebaixadas.

Repare que em todas as ruas, existe uma guia para orientar os deficientes visuais com bengalas.


Uma das milhares de guias rebaixadas

Os ônibus tem portas largas e possibilidade de rebaixamento para entrada de cadeirantes.



Nas estações, supermercados, lojas de departamento, enfim, em todo local público existe elevador para quem tem problemas de locomoção. E sempre com dois botões. Um na altura média pra quem está em pé e outro, mais abaixo, pra quem está numa cadeira de rodas. No meu prédio também tem esse sistema.

Elevador da estação Tamachi, perto de casa.
Detalhe aos botões para chamar o elevador, são dois.


Os botões para cadeirantes ficam na parede da esquerda e da direita.

No Brasil, confesso que reparava pouco se havia ou não acessibilidade para deficientes, em geral começamos a notar quando algo novo surge, como as novas vagas em estacionamentos destinadas a cadeirantes, e mesmo assim vemos o descaso de muita gente. É muita falta de educação. Quando a gente percebe a importância de todos esses detalhes, descobre que a falta deles é absurda. São idéias simples que fazem uma diferença enorme para quem precisa.
Hoje me incomoda o fato de ficar apenas pensando que o Brasil nunca chegará lá! Simples mudanças podem ser implementadas. Alguma idéia?

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

O prazer do consumo

Num dia comum, saindo da escola, resolvi entrar no shopping perto da estação para conhecer. Lá dentro vi uma loja, uma espécie de mini supermercado. Pode parecer exagero, mas esta foi uma das minhas melhores descobertas no Japão!

Tinha de tudo, os cacarecos mais úteis e inúteis, tudo no melhor estilo “invenções japonesas”. A todo tempo me flagrava pensando “como não existe isso no Brasil?” ou “só os japoneses mesmo para pensar nisso...”.
Útil: cópos com base de silicone, para poder segurar bebidas quentes

Inútil, pelo menos para mim: um furador para fazer desenhos nas algas. Exige muita paciência e habilidade japonesa ...

Já tinha entrado em várias lojas de departamento por aqui, dá vontade de levar tudo. O problema é que estou na segunda cidade mais cara do mundo, o que acaba com qualquer desejo consumista.
Mas aqui, tudo é diferente. Esse shopping de bugigangas é na verdade uma das várias lojas que existem no Japão, conhecidas como “hiaku yen”. Traduzindo: tudo a “cem ienes” (cerca de dois reais). Seria uma das famosas lojas de R$1,99 que tinham no Brasil nos anos 90. Mas eu me lembro que era uma enganação por que eles colocavam ao lado do preço, em letras pequenas, um “a partir de” e quase nada custava R$ 1,99.
Esta é uma das lojas espalhadas pelo Japão

Nas lojas”hiaku yen”daqui tudo custa 100 ienes, ou melhor 105 (com taxas), tudo mesmo. Demorou a entender, tanto que tive que perguntar mais de cinco vezes para os atendentes da loja se era isso mesmo. Em geral me olhavam com uma cara do tipo “esta é uma loja chamada cem ienes, quanto a senhora acha que custa?”. Eu só queria ter certeza que não havia um “a partir de” no nome da loja.
Depois fui descobrindo novas e diferentes lojas, encontrei uma da maiores em Harajuku, são quatro andares de produtos. E acredite, há de tudo!
Bases para deixar as botas em pé.
Gravatas executivase camisas - não espere encontrar marcas famosas

Porta banana

Lanternas de todos os tipos

Muita louça

E outros milhares de produtos !

Para uma iniciante no mundo "hiaku yen", atenção total ao caixa para ter realmente certeza.

Sim ! Tudo custa 105 ienes !

Descoberto o paraíso, imagine a alegria de encher a cestinha!

Pra terminar esse post, preciso confessar. Passei alguns dias no Brasil, agora no fim de setembro. As lembrancinhas garantiram a felicidade de todo mundo, dos amigos e parentes e claro, do meu bolso !

domingo, 18 de setembro de 2011

Dia-a-dia

No mapa, o Japão fica muito longe do Brasil, mas a distância às vezes parece muito maior. A sensação é de estar em outro planeta. Essa cena é sugestiva. Com todo respeito, mas essa mulher me pareceu uma extraterrestre.
Todo esse aparato serve para evitar a passagem de qualquer raio de sol. As japonesas odeiam o bronzeado.
É realmente um pais peculiar. Com o tempo, vou me acostumando com o choque cultural. Mas vale a pena ver algumas curiosidades.
Depois da Segunda Guerra, o Japão teve uma enorme influência dos americanos. A mistura da cultura junkie com a criatividade nipônica criou uma cultura única...nada parecido com qualquer outro país. E não são apenas os modelitos das meninas.

Já a comida japonesa vai muito além do sushi. No café da manhã, os japoneses também comem arroz, picles, peixe assado ou frio e missoshiro. E na hora do lanche?
À tarde, sabe quando dá aquela vontade de um pãozinho de queijo? Aqui o hábito é um pouco diferente. A cada esquina, ou melhor, a cada combini (loja de conveniência) é possível comprar o famoso oniguiri!

É um bolinho de arroz recheado de salmão, atum, ovas, tudo o que se pode imaginar. Mas sabe o que é o mais japonês de tudo isso? Existe um procedimento de abertura da embalagem. Para a alga não murchar, ela é embalada separadamente. E é preciso seguir os três passos das instruções, caso contrário o oniguri sai despedaçado. Perdi vários até entender a técnica.
Na verdade, há uma variedade de petiscos, alguns com um aspecto um pouco esquisito.
Dizem que é uma delícia! Mas confesso que não me animei muito ainda para provar.

Outro vício por aqui são as famosas maquininhas de bebidas. Tem café quente e frio, chás, isotônico e sucos diversos. É a uma das melhores partes da vida no Japão. Tem em quase toda esquina e, principalmente, nos lugares mais remotos. Algumas moedinhas bastam para se refrescar ou esquentar o corpo.
Em dias de grande emergência, como um grande terremoto, dizem que as bebidas são grátis. Confesso que estava tão assustada no dia da tragédia que nem percebi!
Essa é minha bebida predileta!  Um suco de banana maravilhoso, pena que é difícil de encontrar.

Na terra do vídeo game, é de se esperar no mínimo um monte de fliperamas espalhados pela cidade. Reparei que a febre por aqui são as maquininhas de pegar bichinhos de pelúcia. Existem várias lojas especializadas só nisso.  
O que não entendo é como pegar bichinhos tão grandes!

Em cada rua, uma surpresa. No país que tem uma das populações mais idosas do mundo, não faltam oportunidades para os aposentados. São várias funções. Em qualquer obra na rua, é preciso ter alguém orientando pedestres. E os idosos são maioria nesse tipo de serviço, inclusive em portas de grandes lojas. Sempre dois ou três, educadamente, mostrando o caminho que devemos seguir.  
Agora repare na pessoa abaixo:
Como bons japoneses, logo criaram uma espécie de robô que fica mexendo os braços. Agora não pense que vale mais a pena fazer esta substituição toda hora.
Este deve ser um dos segredos para a longevidade da população, manter os velhinhos sempre ativos. 
Para as crianças, a grande invenção é este carrinho utilizado pelos berçários.
Simplesmente útil!
Ah! Não se assuste com a máscara da moça, é muito comum por aqui. Ela não está com medo de ser contaminada, muito pelo contrário. A máscara é usada quando se está gripado, para não transmitir o vírus a ninguém e para evitar uma alergia muito comum no país, transmitida por uma flor. 
Tantas curiosidades mostram o tamanho do choque cultural para ocidentais e, principalmente, brasileiros. Imagino como deve ter sido difícil para tantos japoneses se adaptarem a um país tão aberto como o Brasil. No mesmo planeta, países opostos em todos os sentidos.
E salve as diferenças!

domingo, 11 de setembro de 2011

Seis meses depois, um novo Japão!

Era uma tarde de sexta-feira.Tudo indicava que seria um dia comum. Recém chegada ao Japão, eu me preparava para a primeira limpeza pesada no apartamento, no décimo primeiro andar de um prédio em Tóquio. De repente...o susto, o medo, a dúvida sobre o que estava acontecendo.

Quando o prédio começou a sacudir, podia jurar que era a máquina de roupas centrifugando. Desliguei o equipamento, mas o tremor fortíssimo não parou. Aos poucos, tive a noção que estava passando pelo meu primeiro terremoto. E logo o maior da história do Japão...9 graus!!!
O chão balançava lateralmente, um pouco diferente do que eu imaginava. Foi tão forte que apenas peguei o celular e desci as escadas descalça, ofegante. Ao mesmo tempo, rezava, me segurava para não cair e ligava para o meu marido, apavorada.
Naquela hora eu apenas seguia meus instintos de sair correndo. Com duas semanas de Japão, não havia recebido qualquer orientação sobre tragédias. Podia ver e sentir meu prédio balançar de um lado para o outro.
Esta foi uma das primeiras imagens que tive quando cheguei ao andar térreo, as crianças sendo evacuadas da escola com uma espécie de capacete. Depois me explicaram que é para evitar que algo atinja a cabeça com tantos tremores (não achei muito seguro, mas enfim, deve ajudar a manter o psicológico, porque elas estavam muito mais tranquilas do que eu).

Durante duas horas fiquei por ali, sem ter coragem de voltar pro apartamento, até porque a cada 5 minutos havia novos abalos secundários. O que me impressionava era que as pessoas caminhavam como se nada de sério tivesse acontecido. Todos voltavam ao trabalho, andavam de bicicleta e caminhavam sem pressa. Os japoneses, claro, estão acostumados com terremotos, mas depois descobri que na verdade eles não demonstram tanto as emoções. Conversei com alguns vizinhos que confessaram estar desesperados. Eles diziam que era um tremor muito mais forte do que já haviam sentido e estranhavam muito o fato dos celulares não estarem funcionando. Ninguém sabia o que tinha acontecido.
Quando finalmente meu marido e sua equipe de reportagem chegaram, criei coragem para subir em casa. Foi aí que nos demos conta do tamanho da tragédia. Imagens ao vivo da televisão mostravam as cidades da costa nordeste do país sendo devastadas pelo tsunami. Foram registradas ondas de mais de 40 metros. Cheguei a pensar no fim do mundo. Os japoneses também perceberam que estavam passando por um triste momento da história e o caos se espalhou pela capital.
                 Não havia comida nas lojas de conveniência e supermercados. O desespero só aumentava.

Pessoas sem ter como voltar pra casa dormiam nas estações e os que tinham carro transformaram a cidade em um grande estacionamento, isto porque tudo simplesmente parou ! E ficou assim por mais de 24 horas.
O apartamento tremeu mais de cem vezes durante aquela noite e ficar sozinha numa situação como essa não passava pela minha cabeça. Decidi pelo mais sensato, uma vez que o marido- repórter tinha uma longa e importante missão a cumprir. Optei por seguir viagem com a equipe. Eles são jornalistas, estavam prontos para uma cobertura como essa. Eu não !
Para nos aproximar do local da tragédia, enfrentamos um difícil caminho, certo pânico, diversas surpresas, e incríveis descobertas.

Depois de 12 horas e pouco mais de 100 quilômetros rodados, chegamos em Mito. Não havia luz, as ruas estavam cheias de crateras e os hotéis estavam fechados. Por um milagre e por se tratar do Japão, encontarmos o ponto de ônibus acima, com luz, ar quente (estávamos no inverno) e dois banheiros. Ninguém havia invadido. Para mim, estes foram os primeiros sinais de que este país é bem diferente. Lá passamos a noite.

No dia seguinte as pessoas faziam fila nas lojas de conveniência, pacientemente cada um esparava a sua vez para comprar apenas dez produtos. Nenhuma invasão, nenhum furto foi registrado no país.
Passamos por consequências terríveis do terremoto, mas infelizmente, não chegava nem perto do que as vítimas estavam vivendo.
Resumindo um pouco a história, foram dias em que cada decisão podia significar muito, eram dias intensos de muita informação, especulações, mentiras e desconfiança. Só soubemos do problema de radiação no segundo dia, o que nos fez mudar o rumo da viagem. Após cinco dias no nordeste do Japão, com receio do pior, recuamos ao oeste, fomos para Osaka, bem longe de Tóquio inclusive. A falta de combustível quase nos impediu de chegar até a capital do país. Foi por pouco, todos os dias a sensação era de que foi por muito pouco.
As estações de trem estavam lotadas de estrangeiros e japoneses. Ninguém acreditava muito no que o governo dizia.
Depois de uma semana em uma cidade em que parecia estar alienada dos acontecimentos, eu voltei ao Brasil por alguns dias. A equipe seguiu rumo aos destroços. E isso foi o que encontraram.
Um barco a um quilômetro da costa.
Cidades inteiras devastadas 
Hoje é um dia em que penso em tudo o que me aconteceu nestes seis meses. Conheci muitos lugares, diversas pessoas, me acostumei com os insistentes tremores semanais que duram até hoje, me preparei e me informei sobre situações de emergência, conheci uma cultura incrível, talvez o povo mais fechado e único.
Também comecei a me comunicar em japonês, aprendi  novos alfabetos, enfim, tanta coisa nova. E por ter sido tão intenso tudo por aqui, fico mais sentida por todas as pessoas que pararam as suas vidas. São dezenas de milhares de famílias que perderem entes queridos, casas, trabalhos e até foram obrigadas a fugir de suas cidades por conta da radiação. Passaram meses em abrigos e, ainda que tenham ganhado casas provisórias, não tem emprego e não podem mais viver no lugar onde criaram raízes. Difícil!
Foram os seis meses mais intensos que já vivi. E hoje valorizo até os dias mais monótonos. Poder ficar em casa, comprar pão, simplesmente caminhar na rua ou almoçar num restaurante sem maiores preocupações é muito mais importante do que eu imaginava. Força Japão. Gambarou Nihon!